A intensificação da pecuária no Brasil a partir da estabilização econômica e do aumento da demanda de carne para exportação têm levado à intensificação dos sistemas produtivos, seja nos setores de insumos como aqueles de produção propriamente dita e até mesmo os setores finais na indústria de beneficiamento. Considerando o setor de insumos, o aumento da produtividade leva ao melhor uso destes, como exemplo o maior uso de grãos nos sistemas de produção animal com objetivo de melhoria em desempenho e redução de ciclo. 

Nesta ótica, advindo do aumento da demanda por carne, também verificou-se maior exigência por carcaças mais pesadas vindas de sistemas de produção à pasto. Tornou-se necessário então o aumento da produtividade, ou seja, o número de arrobas por hectare, melhorando a eficiência do uso do pasto ao longo do tempo, recuperando o ágio do boi magro ou bezerro, e que também cubra os custos operacionais. Essas são as premissas para intensificação de sistemas de recria e terminação a pasto. 

A recria representa acima de 50% do tempo do animal no sistema, e o sucesso na terminação é praticamente dependente da recria bem feita e também pelo aumento na energia da dieta para deposição de gordura. Vale considerar que não estamos falando de sistemas que substituem o pasto completamente, porque ainda nestes casos o pasto deve ser visto como protagonista, mas para ganhos superiores em carcaça com redução significativa do tempo, o uso do suplemento em maiores níveis é indispensável. 

Quando nos referimos à recria, estamos considerando o período compreendido entre um bezerro desmamado, que em geral é na seca até que este chegue ao “ponto” ideal para entrar na terminação, quando a composição do ganho é maior em tecido adiposo, ou seja, em gordura. Nesta fase da vida, onde o animal encontra-se próximo à puberdade o ganho de peso é eficiente pois a maior parte do seu ganho é em massa muscular, portanto o retorno do consumo de pasto e suplemento em ganho de peso pode ser expressivo. Vale ressaltar que o pasto é o foco neste sistema, e o efeito do suplemento é aditivo. Na RIP metas de ganho acima de 600 gramas por dia são alcançadas com uso de suplemento proteico ou proteico-energético entre 0,5 a 0,7 % do peso corporal, mas importante é salientar que este ganho em geral é aditivo, ou seja, se complementa entre as fases da cria, recria e terminação, propiciando carcaças bem formadas ao fim do ciclo produtivo e mais animais produzidos ao longo do tempo, pois possibilita aumento da taxa de lotação ainda com uso eficiente do pasto. 

Considerando a TIP, a oferta de suplemento aumenta consideravelmente, chegando em 1,5 a 2% do peso vivo por dia em suplemento proteico-energético. Esse consumo é compatível ao tempo e peso que o animal necessita ganhar para estar apto ao abate com carcaças com acabamento mínimo exigido, em torno de 20-21@. Na terminação as exigências mudam em relação à recria, e aumentam as exigências de energia para deposição de tecidos que em sua maior parte é em gordura, sendo esta subcutânea e/ou intramuscular. Na TIP comparado ao confinamento tradicional, o ganho em carcaça em relação ao ganho de peso corporal é uma vantagem, pois em geral acontece redução do peso de órgãos, como o rúmen, o que muda a composição do ganho do animal na balança, em especial composição do trato gastrointestinal melhorando o rendimento do ganho (ganho em carcaça em relação ao ganho de peso vivo). 

A RIP e TIP são alternativas viáveis para intensificação considerando custos operacionais e logística, durante a seca e até mesmo nas águas. Vale ressaltar que nesse nível de oferta de suplemento deve-se ampliar espaço de cocho e estrutura de bebedouros além de acompanhar o comportamento dos animais, escore de fezes e a oferta de pasto, pois como citado anteriormente, o pasto ainda é o protagonista do sistema.

Professora Cláudia Sampaio
Departamento de Zootecnia, Universidade Federal de Viçosa

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