Custo de armazenagem de grãos com o sistema silo bolsa

Custo de armazenagem de grãos com o sistema silo bolsa

Com o aumento da produtividade de grãos no Brasil, especialmente soja e milho, a armazenagem destes produtos apresenta sistematicamente “déficit” na sua capacidade estática de armazenagem, contribuindo com significativas perdas na rentabilidade para os produtores rurais. O uso da armazenagem em Silos Bolsa, torna- se uma alternativa para enfrentar o “déficit” de armazenagem e contribuir com ganhos efetivos ao produtor rural. Este estudo, realizado em 2013, no município de Dourados, MS, objetivou demonstrar a rentabilidade e competitividade na armazenagem no sistema Silos Bolsa como alternativa economicamente viável. Foram levantados dados sobre os custos de armazenagem em armazéns convencionais, de preços praticados pelo mercado na compra de soja e milho em estoques considerados disponíveis, os custos de fretes e outras des- pesas decorrentes da armazenagem convencional. Estes custos, comparados com o custo da armazenagem no sistema Silos Bolsa, demonstram que a armazenagem em períodos de até 180 dias, resultam em ganhos significativos com os produtos armazenados neste sistema, comparados com o sistema convencional.

INTRODUÇÃO

A necessidade de eficiência no setor agrícola está sendo muito discutida nos últimos tempos, em função das dificuldades que permeiam este segmento em termos de rentabilidade para os agricultores, dando um enfoque especial para a gestão do agronegócio não só “dentro da porteira” como também e em especial “fora da porteira”, onde estão as maiores deficiências do setor. “Dentro da porteira” percebem-se os agricultores in- vestindo em novas tecnologias de produção, aumentando a produtividade de grãos a cada ano, e na mídia constata-se a problemática do armazenamento dessas produções, tornando-se um dos gargalos na logística do agronegócio brasileiro.

Nos últimos anos a produtividade vem crescendo exponencialmente em relação à área cultivada, isto é fruto de pesquisas em melhoramento genético de plantas, e outros fatores da tecnologia empregada no cultivo das áreas, como o emprego de mecanismos sempre mais avançados e informatizados.

Neste cenário observa-se que no Brasil a área cultivada nos últimos 20 anos, aumentou de 39,1 milhões de hectares para 53 milhões de hectares, um acréscimo de 36% e a produção de grãos, que em 1993 era de 76 milhões de toneladas cresceu em 2013 para 184,2 milhões de toneladas, crescimento percentual de 142% (CONAB, 2013).

Dados do Ministério da Agricultura, segundo o último levantamento feito em 2010, apontam para uma ca- pacidade estática de armazenagem de grãos no Brasil na ordem de 15%, e para o Centro Oeste brasileiro, cuja produção 2012/2013 atingiu 74,7 milhões de toneladas, a capacidade estática é de 49,1 milhões de toneladas, indicando um déficit de 34,3% em relação à produção total (MAPA, 2013).

Com o aumento da produção de grãos a cada ano, ocorrem os problemas com a armazenagem destes produtos agrícolas: superlotação de armazéns; armazenagem a céu aberto em fazendas; falências e calotes de empresas comercializadoras e inclusive cooperativas, tudo isso gera incertezas ao produtor rural na hora da comercialização de seus produtos (PEDUZZI, 2013).

A administração do agronegócio “dentro e fora da porteira” deve focar na eficiência logística como um todo: produtividade, armazenagem e comercialização; Para tanto se justifica o presente trabalho para que o pro- dutor rural cada vez mais profissionalize a sua atividade, verticalizando o processo produtivo e comercial e aumentando sua rentabilidade com melhores condições de ofertar o seu produto no mercado sem atravessa- dores, agregando valor à sua produção e trabalho.

FARONI et al. (2009) e COSTA et al. (2010), apontam para formas alternativas de armazenagem, como a utilização do sistema silo bolsa, apresentando resultados satisfatórios em suas pesquisas quanto à qualidade dos produtos mantidos neste sistema, com baixos custos.

O objetivo deste trabalho foi demonstrar os custos e a rentabilidade utilizando silos bolsa para armazenagem de grãos, nas propriedades rurais do município de Dourados-MS.

O trabalho foi realizado no município de Dourados-MS no período de 01 de julho a 30 de novembro de 2013 e para atender aos objetivos da pesquisa utilizou-se de um estudo de caso de uma propriedade rural que utiliza armazenagem em estabelecimentos de terceiros, armazenagem própria em silos e ainda utiliza a armazenagem em silos bolsa. Para obtenção dos dados de custos de armazenagem foram feitos levantamen- tos com três empresas do setor de armazenagem.

Inicialmente foram feitas pesquisas bibliográficas sobre a deficiência na capacidade de armazenagem no Brasil, no estado de Mato Grosso do Sul e em particular no município de Dourados-MS, que segundo o IBGE (2013), dados da safra 2012/2013, contabilizam 1.068.000 toneladas de produtos colhidos, considerando as culturas de soja e milho, possuindo o município uma capacidade estática de 945.176 toneladas, repre- sentando 88,5% do total colhido nestas safras, que demonstra o “déficit” de armazenagem no município. Após a pesquisa de referências bibliográficas, passou-se ao levantamento e apuração dos dados de preços praticados no mercado de grãos no município de Dourados-MS, através de visitas e entrevistas com gerentes de empresas armazenadoras comerciais, cooperativas e com produtores rurais. Foram levantados dados sobre custos de armazenagem em silos e armazéns comerciais e preços praticados por estas empresas na cobrança de armazenagem; os preços de soja e milho no mercado disponível em relação aos preços praticados no mercado de balcão e os custos de armazenagem em silos bolsa.

Para a obtenção dos custos de armazenagem em silos bolsa, pesquisou-se o preço dos equipamentos neces- sários ao processo de armazenagem e retirada dos grãos dos Silos, sendo elaboradas planilhas contemplando o custo operacional, a depreciação, manutenção e demais gastos relativos a este método de armazenagem de grãos.

Baseado em pesquisa de COSTA et al. (2010), foi utilizado o tempo máximo de armazenagem de milho em grãos, acondicionados em silos bolsa, com teor de umidade de 14,5%, neste período experimentado não houve alteração de classificação deste produto, semelhante estudo foi dirigido por FARONI et al. (2009), para a armazenagem de soja em silos bolsa com umidade 13,3%.

Foram comparados os dados de preços praticados no mercado “disponível” e mercado de “balcão”, levan- tados os valores de armazenagem em empresas armazenadoras e tabulados os custos da armazenagem no sistema silo bolsa, permitindo ao final comparar os custos de armazenagem nas diferentes formas de cobrança de taxas e descontos sobre os produtos armazenados.

Após o levantamento, realizaram-se a compilação dos resultados através de tabelas, utilizando-se de planilhas eletrônicas, as quais corroboram os dados finais desta pesquisa.

RESULTADOS E DISCUSSÃO SOBRE CUSTOS DE ARMAZENAMENTO COM SILO BOLSA

Os custos de armazenagem em armazéns de terceiros, os preços praticados pelo mercado de “balcão” e “disponível” são custos que devem ser considerados como fator potencial de rentabilidade ao produtor pela sua gestão, estes custos em relação à armazenagem própria em silos bolsa, estão a seguir demonstrados, para validar esta opção de armazenamento.

Data 13/06/2017